28
out
2011
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Festival do Rio 2011 – Sleeping Beauty #pocket

     Esse filme está aí para mostrar como uma sinopse perdida na vasta programação do Festival do Rio pode te enganar. Dizia: “Lucy é uma estudante universitária que precisa trabalhar para financiar seus estudos. Respondendo a um anúncio de jornal, ela aceita um trabalho para servir jantares vestindo apenas lingerie. Mas essa é só a primeira fase, pois logo lhe oferecem o emprego de bela adormecida, em que ela deve ser sedada para servir às fantasias eróticas de homens mais velhos. Ela não sabe o que eles fazem com ela nas horas em que fica desacordada, mas sua curiosidade vai levá-la a esconder uma câmera no quarto em que dorme. Selecionado para a competição do Festival de Cannes 2011.

     Dois fatores chamam a atenção nela, o mistério e o selo de qualidade do Festival de Cannes. Quanto a este último tópico não vou discutir, o filme veio para cá na mostra Panorama, quando deveria estar na Expectativa, mas enfim… Já a parte que cabe a cineasta (que na verdade é escritora e fez sua estréia no ramo com essa produção), que se trata da manutenção do mistério, há falhas. Ou o filme cumpre o que está na sinopse, ou a sinopse deve ser modificada para ser coerente com o conteúdo do filme. Senão é propaganda enganosa. E foi com esse sentimento que os espectadores das sessões lotadas (!) desse longa deixaram a sala. Aquilo que o famoso produtor do seriado Lost, J.J. Abrams, chama de mystery box inexiste, apesar de ser anunciado. O espectador não é posto no ponto de vista da protagonista, ou seja, não existe mystery box para ele, apenas para a protagonista. Ela não sabe o que acontece enquanto ela está sedada. Nós sabemos. Ao perceber isso, já se vai metade da expectativa em torno do filme, só resta esperar o momento em que Lucy vai descobrir o que fazem com ela, porém a tal câmera que na sinopse parece ser um grande evento, não tem quase importância na história. OK, a diretora quis fazer assim, é a escolha dela, temos que respeitar e blábláblá. Então vamos esquecer o mistério e ver o filme de uma forma geral.

     São 101 minutos de construção do personagem e quase nada de ação. Não adianta dizer que não necessariamente um roteiro deve ser calcado nos acontecimentos porque nesse caso não há diálogo ou outro artifício que sustente esse estilo. Não estamos diante de um Antes do amanhecer/Antes do pôr-dos-sol. E ainda ficam umas pontas soltas provavelmente deixadas na tentativa de evitar que o filme fique muito didático, como por exemplo, quem é de fato o tal Birdman? Sobra cena que repete uma idéia já passado (Lucy no bar, Lucy com problemas com seu locatário, Lucy aceitando todo tipo de trabalho para ganhar a vida…) e falta para explicar outros pontos que poderiam enriquecer a trama. O enredo tinha potencial, a personagem principal também, os atores cumprem bem seus papéis, mas há uma pretensão no ar de filme de arte, que deseja discutir questões profundamente, mas sem ser muito óbvio e explícito, apenas sugerindo. Isso é o golpe de misericórdia. Todavia, a fotografia é bem cuidada. Nos momentos em que Lucy está dopada na cama vemos um quadro renascentista na tela.

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