6
maio
2011
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Terror em Silent Hill

Linguagem de videogame

Terror em Silent Hill é mais um daqueles filmes baseados em jogos de videogame. Até aí, tudo bem. Lara Croft: Tomb Raider também possui a mesma proveniência e consegue ser um bom filme de ação, dentro daquilo a que se propõe ser. Porém, em Silent Hill houve um ruído no processo de transposição da linguagem de game para a cinematográfica, ocasionando uma série de equívocos.

O filme manteve o formato de jogo. Está tudo lá: as fases e os seus respectivos obstáculos a serem ultrapassados, o uso excessivo de efeitos especiais na criação de uma nova realidade e até um confronto final com o mais poderoso adversário, depois de cumpridas todas as etapas. Todos esses fatores acabaram por deixá-lo repetitivo e consequentemente, a sensação é de que as duas horas de projeção foram excedidas.

Os efeitos visuais são um caso a parte. É preciso cautela e bom senso na hora de utilizar esse recurso em filmes de terror. Em Silent Hill, a ambientação e os monstrengos da cidade são visivelmente  computadorizados, o que os torna inverossímeis. Quando surgem na tela até assustam, mas no minuto seguinte, com a mensagem já absorvida, não convencem mais o espectador de que se trata de uma criatura a ser temida. Além disso, por haver atualmente uma exaustiva utilização desses artifícios, os atores ficam em segundo plano, pois os efeitos tomam o lugar de protagonistas do filme. Sendo assim, dentro do espaço que lhes foi dado, as atuações são corretas.

Apesar desses deslizes, o filme consegue ser o melhor dentre os últimos dessa categoria “terror de game” que virou moda. A premissa em si é boa, o problema é a forma como ela foi desenvolvida. Até são explorados assuntos interessantes e atuais como a intolerância ao diferente e o fanatismo religioso, além de sentimentos como rancor e vingança simultaneamente a coragem e persistência. O filme tem potencial para ser mais sombrio e aterrorizante, mas independentemente disso com certeza os jovens vidrados nesses joguinhos vão adorar. Mas não é nada que se possa comparar aos clássicos do gênero, como um O iluminado ou O exorcista, que mexiam com o imaginário dos espectadores e de noite lhes tiravam o sono. Pode sair do cinema e ir comer o seu cheeseburguer tranquilo. Em cinco minutos você já vai ter esquecido o que acabou de ver.

Ficha Técnica

Direção: Christophe Gans

Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger…

Gênero: Terror

Produção: Canadá, França, Japão e EUA

Duração: 125 min

Publicado originalmente em 01 de setembro de 2006.

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4 Responses

  1. ei, o melhor filme de terror baseado em games …. se ve em muitos top por ai , e a sequencia vai ser melhor ainda , concordo que nao chega perto de exorcista (o melhor pr mim até hoje) e o iluminado , mais é tanta porcaria por air o filme residente evil e um fracasso e sou fã do jogo…. dou nota 9.5 para silent hill realmente os protagonistas falharam um pouco mais nao deixa de ser uma obra prima. vou assistir denovo.

    1. Oi leandro,
      Não disse que o filme era ruim, evito esse tipo de julgamento de valor, pois cada um deve fazer o seu. Disse inclusive que “Apesar dos deslizes, o filme consegue ser o melhor dentre os últimos dessa categoria ‘terror de game'”. Lógico que se estivermos falando do gênero terror, mais abrangente que o subgênero “terror de game”, a disputa pelo topo fica mais acirrada porque entram competidores de peso como “O exorcista” e “O iluminado”.
      Mas é isso aí! O debate é importante.
      Obrigada pela sua participação!

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