26
maio
2011
0

O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford

Western Existencial

O filme com o maior título da História traz algumas peculiaridades a começar pelo próprio nome, que de antemão já entrega qual será o clímax da narrativa. O assassinato de um dos maiores fora-da-lei do final do século XIX por um tal Robert Ford passa a ser um fato. A partir daí, o filme é inteiramente calcado na expectativa desse momento. Acompanhamos a apresentação dos personagens com ansiedade para descobrir quem é o tal assassino e assim que ele aparece, começamos a analisá-lo continuamente na tentativa de entender o motivo que o levará ao tal ato já anunciado. Essa característica de apresentar o “final” da história desde o início, tira o foco do acontecimento e o coloca sobre a forma como a trama vai se desenrolar. E essa estrutura se deve a outra peculiaridade. Superficialmente, o filme pode parecer um western tradicional, porém mais a fundo percebemos as tintas existencialistas imprimindo um ritmo reflexivo e se sobrepondo a ação. Trata-se de uma espécie de western revisionista.

Características não convencionais do gênero aparecem a toda hora, mas sem que ele seja totalmente descaracterizado. James, por exemplo, é um homem introspectivo, imprevisível, que chora, mas nem por isso, menos viril, cruel ou violento. A violência, aliás, é usada de maneira consciente e econômica, sem apelar para o bang-bang tradicional. Não há duelos na rua, como de costume, mas mortes e ações sóbrias, secas como o barulho do disparo das armas. A tensão não provém de frases feitas ou em cenas clichê de confrontamento, mas está salpicada ao longo dos 160 minutos de projeção. Visualmente, estão lá os típicos planos abertos do cenário bucólico, porém sob efeitos de aceleração e desfoque da imagem.

Brad Pitt vem a cada trabalho mostrando que não é apenas um rostinho bonito e com sua interpretação segura do protagonista, tira qualquer dúvida quanto a sua capacidade cênica. Seu olhar perdido e expressão corporal bem marcada doam ao personagem a experiência e sabedoria de um homem de meia-idade do final do século XIX combinadas com a imprevisibilidade de um fora-da-lei. Casey Afflek, que interpreta o aspirante a marginal Robert Ford, também está perfeito. A composição do ambicioso assassino é uma mistura do esquisito Capote de Philip Seymour Hoffman com o invejoso Tom Ripley de Matt Damon. Pitt cativa e Affleck causa repulsa no espectador que torce para que Jesse não morra, mesmo sabendo que seu fim é certo desde o momento que tomou conhecimento da existência do filme.

Ficha Técnica

Diretor: Andrew Dominik

Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Sam Shepard…

Gênero: Faroeste / Drama

Produção: EUA e Canadá

Duração: 160 min

Publicado originalmente em 01 de dezembro de 2007.

You may also like

O que significa realmente Valar Morghulis?
A grande aposta
Reações facebookianas aos filmes do Oscar
O regresso

Deixe um comentário