19
May
2011
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Comédia do poder

O minimalismo francês

Comédia do Poder é um filme livremente inspirado em um caso real de corrupção que aconteceu na França, conhecido como escândalo ELF-Aquitaine (grupo petrolífero ligado a autoridades políticas). A mais nova obra de Claude Chabrol, um dos grandes mestres do cinema francês, é tudo aquilo que se espera de um cineasta oriundo da Nouvelle Vague.

Se há uma palavra que pode definir esse movimento cinematográfico nascido na década de 60, é intimista. Como não poderia deixar de ser, Comédia do Poder é introspectivo. As reflexões não são explícitas ou empurradas goela à abaixo do espectador e sim, pairam no ar o tempo todo, esperando que se vá até elas por livre e espontânea vontade. Há uma economia de gestos e palavras que torna o filme minimalista, tanto no que diz respeito ao roteiro, quanto a cinegrafia. Vemos na tela olhares sutis captados por uma câmera discreta que observa os personagens, além de diálogos curtos e expressivos, estrategicamente bem elaborados, que dão uma complexidade intensa às relações tratadas. Isabelle Huppert, que interpreta a protagonista, não à toa, é musa de Chabrol. A atriz é a síntese da interpretação introspectiva, contida e não menos expressiva.

Mais interessante do que a trama realista sobre corrupção, tema tão presente nos dias de hoje, é a cinegrafia do filme. As cenas, quadros, planos, tudo é tão cuidadosamente orquestrado, que muitas vezes essas pequenas pecinhas se perdem na dimensão do conjunto. Filmes assim devem ser vistos e revistos várias vezes. São aulas de cinema que não se deve perder.

Ficha Técnica

Diretor: Claude Chabrol

Elenco: Isabelle Huppert, François Berléand, Patrick Bruel…

Gênero: Drama

Produção: França e Alemanha

Duração: 110 min

Publicado originalmente em 01 de julho de 2007.

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