29
fev
2016
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Reações facebookianas aos filmes do Oscar

LIKE – Spotlight

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Curti bastante esse filme. Enquanto Cinema ele não é nada demais, bem formal, bem Cinema Narrativo Clássico, mas tem algo interessante: todos os aspectos técnicos e artísticos foram minimizados em prol da história que se quer contar. Porque, convenhamos, é uma super história! Ninguém brilha no filme, nenhum ator, nem a fotografia, nem a edição… Quem brilha é a história e nesse sentido tiro o chapéu pro roteiro. Não tem nada brilhante, nem inovador nele, mas a narrativa é muito bem conduzida. Lembrando que se trata de roteiro original e não de adaptação. Reunir todo aquele material e fatos ocorridos durante anos e transformá-lo num bom filme não é tarefa fácil. Além disso, o longa joga luz sobre um tema sombrio, a rede de pedofilia na Igreja, e amplia mais ainda a discussão sobre esse tema que começou com a reportagem no Boston Globe, através do alcance do cinema. E mais do que isso, aborda uma função há tempos esquecida nessa era de crise do jornalismo: sua vertente investigativa e consequente importância para sociedade. É um filme sobre uma equipe e um filme de equipe, por isso acredito que não vá levar nenhum Oscar individual ao qual está concorrendo (melhor atriz e ator coadjuvante). Porém, existe uma grande chance de ganhar como melhor roteiro original e até filme, já que estamos falando acima de tudo de uma super história revelada por um super judeu, Marty Baron (interpretado por Liev Schreiber), o editor do jornal na época do caso. E como vocês devem saber, Hollywood é a Terra Prometida.

 

AMEI – O regresso

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Amei porque esse filme consegue utilizar os mecanismos da indústria do entretenimento, mas ao mesmo tempo romper com ela e voar alto em direção à estratosfera da arte. Depois do ótimo Birdman, Iñárritu ganhou meu coração com essa obra que é um tapa na cara da civilização. É um filme complexo de resumir em um parágrafo, então se você ficou curioso para saber mais sobre, clique no link abaixo e leia a resenha publicada na semana passada aqui no blog. Estarei torcendo hoje à noite para O regresso levar o Oscar de melhor filme e direção, mais que merecido.

http://cinedoque.com/cinema/oregresso/

 

HAHA – Divertidamente

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Não é um filme exatamente engraçado, apesar de ter seus momentos, mas não podia deixar de citá-lo e com esse título combinava perfeitamente com o emoticon. Tem o selo de qualidade das produções Pixar que revolucionaram o mercado de animações com seus filmes para filhos e pais. Nada de subestimar a inteligência da criançada ou vender valores ultrapassados. Divertidamente é genial. A forma como eles conseguem passar conceitos complexos de funcionamento da mente humana com suas emoções, memórias e pensamentos é digna de aplausos. A analogia com a estrutura de um computador (que diga-se de passagem foram criados a partir de estudos da neurociência), os mundos criados, a jornada da protagonista e, principalmente, a mensagem passada da importância da tristeza na vida das pessoas são perfeitos. O roteiro está concorrendo na categoria e deveria ser premiado, apesar de achar difícil isso acontecer por um preconceito contra animações. Os filmes da Pixar sempre são indicados ao Oscar de melhor roteiro, mas nunca venceram.

 

WOW – Star Wars: O despertar da Força

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Ta aí um filme que conseguiu surpreender. Depois de 2 trilogias, com a última tendo sido criticada, o mundo estava apreensivo com o que seria dessa nova saga, ainda mais depois que George Lucas vendeu os direitos para Disney produzir. Eu digo “o mundo” porque Star Wars é um fenômeno mundial que transcende o cinema. Para alívio de todos, J.J. Abrams fez a Força despertar e ela chegou furiosa nas telas. Foi melhor do que poderíamos imaginar. Ele conseguiu fazer uma modernização conservadora. Preservou o que funciona e era referência nos filmes anteriores, como a estética daquele universo e o uso consciente de computação gráfica, mas inovou ao trazer como casal protagonista uma jedi mulher e um Stormtropper humanizado e… negro! Foi genial da parte do diretor trazer representatividade para grupos sociais desfavorecidos através de uma das marcas mais conhecidas do planeta. Além disso, ele trouxe também os protagonistas dos filmes anteriores, personagens queridos que por décadas nos perguntamos qual teria sido os seus destinos. Foi uma forma não só de agradecimento aos atores que deram vida a esses ícones da cultura pop e até a sua própria carreira (só Harrison Ford continuou atuante no mercado, o restante ficou estigmatizado demais pelos papéis), mas também um ritual de passagem de sabre de luz para próxima geração de jedis. O Oscar só indicou o filme em categorias técnicas, mas tenho a esperança de que, ao final da trilogia, a saga será recompensada com os prêmios que, pelo menos com essa primeira sequência, merece receber, assim como aconteceu com O senhor dos anéis.

 

TRISTE – O quarto de Jack

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Triste é um adjetivo que qualifica bem o filme, mas que não o define completamente porque além da tristeza óbvia e aflitiva sentida pelos personagens e por nós, espectadores, O quarto de Jack é sobre o amor brutal entre mãe e filho. E também sobre como a imaginação de uma criança pode salvá-la de traumas terríveis e tornar mais leve um ambiente hostil. A trilha sonora dá uma derrapadas, mas não chega a atrapalhar o resultado final. Brie Larson está concorrendo ao melhor atriz e deve levar, pois tem abocanhado todos os prêmios dessa categoria nesse período pré-Oscar.

 

GRR – Os oito odiados

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Não foi dessa vez, Tarantino. Depois dos ótimos Bastardos Inglórios e Django, você errou na mão. É preciso de um bom motivo para fazer um espectador ficar 3 horas e 7 minutos sentado assistindo a um filme. Os oito odiados poderia ter tranquilamente 2 horas. Mas você preferiu torturar o espectador junto com a personagem Daisy Domergue. E a troco de nada. Por que se você queria abordar a cultura bélica norte-americana, a ignorância do faroeste e a opressão de um grupo social pelo homem branco, sinto lhe dizer que O regresso faz o mesmo de uma forma muito superior. Ainda assim o filme deve levar o Oscar de melhor trilha original para o mestre Enio Morricone.

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